sexta-feira, 18 de novembro de 2011

JOHANN WOLFANG VON GOETHE GOETHE



JOHANN WOLFANG VON GOETHE GOETHE

Nasceu em Frankfurt no dia 28 de agosto de 1749, ao meio dia, morreu em Weimar no dia 22 de março de 1832, as 11:30 hs. Tinha 83 anos.

De seu pai, herdou o gosto pelas pesquisas e pelas coleções.

Aos 16 anos parte para leipzig para iniciar seus estudos e depois de algum tempo continuará seus estudos em Estrasburgo, estudou Belas Artes, Latim, Grego, Francês, Italiano; fez os cursos de: medicina, botânica e geologia.

Em agosto de 1768, ao completar 19 anos, regressa à Frankfurt gravemente en¬fermo, esgotado pela vida agitada que levava. Por isso é forçado à uma longa convalescença, durante a qual é iniciado na doutrina de uma seita cristã, que exigia profunda religiosidade e proclamava as virtudes da piedade. Nessa época, lê Shakespeare, estuda Alquimia, Cabala e as obras de Paracelso.
Após sua recuperação, viaja no final de março de 1770 para Estrasburgo para aí, formar-se advogado, nessa época descobre a Arte Gótica e converte-se num dos promoto¬res do movimento pré-romântico literário.

Em 1775 é chamado a Weimar pelo Príncipe Carlos Augusto para ocupar altos cargos públicos, fica até 1783 e depois regressa a Frankfurt. Aí, escreve um romance, publica um drama, faz grande sucesso, tornando-se um dos precursores do romantismo nascente.

Em 24 de junho de l780 foi iniciado na Loja Maçônica Amália, em Weimar, na qual, posteriormente deu grande impulso. Compôs numerosos poemas de inspiração maçônica. Há suposições de sua filiação Rosacruz em 1783.

Em setembro de 1786 vai para a Itália ficando lá até 1788, depois resolve aban¬donar as Artes Plásticas para dedicar-se exclusivamente à poesia. Na Itália teve a revelação do mundo clássico, lá, cultivou as Ciências Físicas e Naturais.

Regressando a Weimar, abandona seus cargos oficiais e decide levar uma vida pagã com sua amante Cristiane Vulpius, uma jovem de 23 anos, que em 1789 lhe dá o único filho: Augusto; casa-se com ela em 19 de outubro de 1806.

No dia 2 de outubro de 1808 teve um encontro com Napoleão, não há detalhes sobre isto. A partir desse ano, dedica-se ao estudo das cores, da morfologia das plantas, da mineralogia.
Ficou viúvo em 1816, seu filho morre em outubro de 1830, aos 41 anos.

Em algumas de suas obras proclamava a sua fé na Astrologia, Goethe não é considerado um filósofo no seu sentido estrito, mas suas obras respondiam as dúvidas filosófi¬cas da época, na sua maturidade assimilou o romantismo, integrando-o de um lado à um clas¬sicismo que representa um método de aproximar o homem com a natureza de forma indissolu¬velmente unida, e de outro, numa concepção do mundo expressa na fusão da intuição com o pensamento.

Como poeta lírico, figura entre os primeiros da humanidade, seu talento múlti¬plo, sua tenaz e exigente ambição intelectual, a harmonia serena da sua obra o tornaram o mais universal dos gênios modernos.
Sua obra toda evidencia a busca incessante de uma sabedoria transcendente e fausto, cuja primeira parte em 1808 e a segunda em 1831, simboliza o espírito humano inqui¬eto e ambicioso que luta pelo conhecimento da suprema verdade. Em seu lado sentimental, foram famosos seus relacionamentos amorosos.

Seus trabalhos sobre: Física, Biologia e Fisiologia possuem grande importância científica. Em 1830 foi comemorado o cinqüentenário maçônico de Goethe.

Suas obras compreendiam: Poesia, Drama, Novela, Filosofia e Ciências; dentre elas temos:
- Samtliche Werke In Chronologischer Folge, 45 Vols.;
- Metamorfose das Plantas (1790);
- Contribuição para a Ótica (1791);
- Da teoria das Cores (1810);
- Metamorfose dos Animais (1820).

FRÉDERIC-RODOLPHE SALZMANN SALZMANN




FRÉDERIC-RODOLPHE SALZMANN SALZMANN

Nasceu em Saint-Marie-aux-Mines, Alsácia, conselheiro da legação da Saxônia ducal, preceptor do barão de Stein (o futuro ministro prussiano) em 1774, é um jurista de pro¬fissão e passa quase toda sua vida em Estrasburgo, onde se consagrou ao estudo dos teósofos. Salzmann adquire a livraria acadêmica de Estrasburgo, convertendo-se assim em editor-li¬vreiro, o que lhe assegura uma relativa tranqüilidade, momentaneamente interrompida pela tormenta da revolução. Amigo de Oberlin, de Juan de Turckheim, de Jacob Lenz, de H.L. Wagner, místicos e teósofos conhecidos de Goethe, com quem funda uma revista, "Der Bur¬gerfreund".

Durante anos, e até o fim de seus dias, foi amigo devoto de Willermoz. Com Juan de Turckheim, seu compatriota estrasburguês, Salzmann organiza o sistema dos C.B.C.S.(Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa), tomando parte ativa no convento de Wi¬lhelmsbad (1782), e será para sempre na Alsácia, o representante autorizado dos Grandes Pro¬fessos. 
Se lhe verá atuar como intermediário entre Willermoz e os príncipes alemães Charles de Hesse-Cassel e Fernando de Brunswick.

Em 1788 conhece Saint-Martin em Estrasburgo, onde o Filósofo Desconhecido passa um dos períodos mais felizes de sua vida em companhia dos místicos alsacianos, dos que Salzmann e Madame de Bocklin formam parte.

Sem dúvida, se deve a Salzmann, como certamente sucedeu com Madame de Bocklin, que Saint-Martin se tenha interessado pela filosofia de Jacob Boehme, Salzmann se inspira no pensamento do sapateiro de Goerlitz, porém o faz também com o de Engelbrecht, Oetinger, Bengel, Hann. Se corresponde com Jung-Stilling, Lavater, Georg Muller, Moulinié, Saint-Martin, o bispo Grégoire, Oberlin, Friedrich von Meyer, Gotthilf Heinrich von Schube¬ert, Emil von Darmstadt, Madame de Krudener, Nuscheler e outros escritores e teóso¬fos.

Sua obra inicial, "Tudo se renovará, aparece em sete partes, desde 1802 a 1810, contendo numerosos extratos de leituras teosóficas e notas pessoais. Se encontram páginas de Ruysbroeck, Tersteegen, Catherine de Sienne, Antoinette Bourignon, Madame Guyon, Jane Lead, Swedenborg, Browley, autores que Salzmann faz conhecer aos leitores da Alsácia, Ale¬manha do Norte e Suíça.
Neste trabalho, Salzmann expõe interessantes idéias sobre o estado da alma depois da morte e acerca da ressurreição.

Antes de ressuscitar temos de atravessar um estado transitório, prévio ao passo definitivo ao céu ou ao inferno; Salzmann trata de fazer desta maneira aceitável aos protestan¬tes a teoria católica do purgatório. 

É autor de quinze volumes, entre os que se encontram também: "Acerca dos últimos tempos" (1805), crítica de uma obra de Kelber; "Miradas sobre os mistérios das inten¬ções de Deus em relação a Humanidade "(1810).

Salzmann apresenta uma cosmogonia de caráter nitidamente martinista: A rebe¬lião dos anjos foi a origem de um caos, com que Deus fez uma maravilhosa morada para que servisse de habitação ao homem.
A desordem dos elementos é a conseqüência da queda de Adão.
Salzmann profetiza em mais de uma ocasião o fim dos tempos.

Se lhe tem confundido muitas vezes com seu primo Johann Daniel Salzmann, secretario de uma comissão municipal (Actuarius) e comensal habitual na casa de Goethe, Jung-Stilling e Herder por volta de 1771.

Este amigo de Goethe morreu em 1812, e o amigo de Saint-Martin faleceu em 1821.
* Sobre Salzmann consultar: "Lettres choisies" (de Salzmann), traduzidas do alemão para o francês por M.E.C. e precedidas de um estudo sobre o misticismo, París, Ed. Chacornac, 1906;

Anne-Louise Salomon, F.R. Salzmann, París, Berger-Levrault, 1932, e também a obra de René Le Forestier, La Franc-Maçonnerie occultiste au XVIII siécle et LÓrdre des Elus-Cohen, París, Dorbon, 1928;

La Franc-Maçonnerie occultiste et Templiére aux XVIII et XIX siécles, París, Aubier-Nauwelaerts, 1970, publicado por A. Faivre.

EDWARD GEORGE EARLE BULWER LYTTON





EDWARD GEORGE EARLE BULWER LYTTON

Edward George Earle (1º barão de Lytton). Nasceu em 25 de maio de 1803 em Londres. Faleceu em 18 de janeiro de 1873 em Torquay. Escritor, político e ocultista. Estudou em Cambridge e desde tenra idade manifestou-se como poeta e dramaturgo.

Teve uma destacada carreira política sendo várias vezes parlamentar e ministro de Colônias (1858). Estudioso dos problemas metafísicos do homem e sua relação com o uni¬verso, incursionou no campo do ocultismo, relacionando-se com Eliphas Levi e chegando a ser designado, em 1871 "Gran Patron" do Metropolitan College da Societas Rosacruciana in Anglia.

Recorda-se sua predição sobre a futura carreira de Disraeli empregando uma forma medieval de deomância.

Escritor de grande versatilidade, sua produção é importante e algumas de suas obras abordam temas ocultos: Obras: Suas duas principais novelas ocultistas são: "Zanoni;" (1842), esboçada em 1834 com o título de "Zicci" (tradução espanhola, Ed. J. Torrens Coral, Barcelona, 1906 e Ed. Kier, Buenos Aires, 1944) e "The Coming Race" (1871) (id., "La Raza Futura", Ed. Lucis, Buenos Aires, 1941).

Essas obras converteram-se em clássicos da literatura oculta de ficção e a trama da segunda delas, uma utopia, afirma-se, foi sugerida a Bulwer Lytton por um mestre.

Pode-se mencionar ainda: " Arasmanes, ou the Seeker"; "The Tale Of Kossem Kesamin, The Magicien" e "A Dream Of Dead". Sua vasta produção literária compreende a novela histórica o teatro e o ensaio.

Bibliografia: " Earl of Lytton, The Life of Edward Bulwer, First Lord Lytton" (Macmillan, Londres, 1913, 2 volumes). Para sua atuação como ocultista ver C. Nelson Stewart, "Bulwer Lytton as Occultist" (1927) (The Teosophical Publishing House, Londres), com exaustiva bibliografia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ordem KABALÍSTICA DA ROSE + CROIX


Ordem KABALÍSTICA DA ROSE + CROIX
(O.K.R.C.)

Origem da Ordem
Em 1884 o ocultista MARQUÉS STANISLAS DE GUAITA (1861-1897), com a idade de 24 anos, leu o "O Vicio Supremo", escrito por Joséphin Péladan. A mística de Péladan atraiu a Guaita que se colocou em contato com ele. Guaita não só conheceu a Joséphin, como também ao irmão maior de Joséphin, chamado Adrian Péladan, de quem Bayard disse que estava conectado com uma Ordem da Rosacruz de Toulouse,  dirigida por FIRMIN BOISSIN.

Stanislas de Guaita teve como secretário a OSWALD WIRTH, conhecido por publicar varias e importantes obras esotéricas. Guaita escreveu, sendo muito jovem, vários livros ocultistas: Em 1886 publicou "Ensaios das Ciências Malditas" e "No Umbral do Mistério". Em 1891 seu "Templo de Satán" e em 1897 a "Chave da Magia Negra". Ao morrer deixou uma obra inacabada "O Problema do Mal", que seria publicada recentemente em 1950 e graças as notas de seu secretario Wirth.

Em 1888 Stanislas de Guaita, com a idade de 27 anos, fundou a "Ordem Kabalística da Rosacruz", dirigida por um Conselho Supremo, composto por doze membros. Se conhece o nome de vários deles: Stanislas de Guaita, como Chefe Supremo; PAPUS (Gerard Encausse) restaurador do Martinismo; F.Barlet; Joséphin Péladan que se separaria da Ordem Kabalística em 1890 para fundar a Ordem de la Rose+Croix; o abade Alta, cujo verdadeiro nome era Mélinge, cura de Morigny, na dioceses de Versalhes,  Paul Adam, Gabrol e Thoron.

Mais tarde se uniram a eles Marc Haven (doutor Lalande) (1868-1926), Paul Sédir (Yvon Le Loup), Agustín Chaboseau, Lucien Chamuel e Maurice Barrès. Se conhece que nessa Ordem se valorizavam os conhecimentos de Eliphas Lévi, Fabre d'Olivet, Hoene Wronsky, Jacob Boheme, Emmanuel Swedenborg, Martinez de Pasquallys e Louis Claude de Saint Martin.
Todos os seus membros foram grandes esoteristas e místicos, que contribuíram ao conhecimento espiritual com diversas obras literárias, alem de sua participação ativa em diversas ordens e fraternidades.

o Conselho SUPREMO DA Ordem KABALÍSTICA DA ROSE+ CROIX

PAPUS:
O primeiro mentor do ocultismo contemporâneo e mais conhecido de todos. Nasceu em La Coruña em 13 de julho de 1865 e faleceu em París em 25 de outubro de 1916. Seu pai era francês e sua mãe espanhola. Se graduou em medicina em París em 1894.
Reconhece Papus haver tido vários Mestres no campo do oculto: Henry Delaage (1825-1882) no terreno do Martinismo. Papus foi iniciado uns meses antes que falecesse Delaage.; Peter Davidson (?)na tradição esotérica egípcia da misteriosa Irmandade Hermética de Luxor (H.B.L.), Saint Yves d`Alveydre (1842-1909) (que não pertenceu  a nenhuma Ordem) e o Mestre Philippe de Lyon (1849-1905), quem era recebido como Mestre em todos os grupos ocultos da época, porem que não revelava haver sido iniciado em nenhum. Papus afirma que seu verdadeiro e último Mestre foi Philippe de Lyon.

Papus esteve relacionado com a Sociedade Teosófica de Blavatsky, tornando-se membro em outubro de 1887 do ramo francês (S:T: Isis) da citada sociedade. Seus primeiros escritos esotéricos se publicaram na revista Teosófica "O Loto". Foi membro co-fundador da S.T. Hermes, em París, que sucedeu a S.T.Isis. Porem de pronto abandonaria a escola oriental para dedicar-se até o fim de seus dias a escola ocidental. Em 19 de maio de 1890, enviou sua demissão ao presidente da S.T. Hermes, e este, por sua vez, mandou uma nota em 7 de julho de 1890 ao Coronel Olcott, Presidente da S.T., para que expulse a Papus da mesma.

Também foi membro desde sua criação e logo Presidente (sucedendo a Albert Faucheux) do Conselho Supremo da Ordem Kabalística da Rose+Croix. Assim mesmo foi Presidente da Sociedade Magnética da França e chegou a ser Grão Mestre de vários ritos maçônicos. Revisou o rito maçônico da Estrita Observância Templária, estruturado por Jean-Baptiste Willermoz.
Foi cirurgião-mór durante a primeira Guerra Mundial e morre em 1916 ao cair de uma escada do Hospital de la Charité de París debilitado pela tuberculoses que contraiu durante a guerra.

Suas principais obras esotéricas são: Tratado Metódico de Ciência Oculta (1891)- A Cabala (1892)-
O Almanaque do Magista (1894)- Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria (1899)- O Iluminismo na França (1767-1774).Martinez de Pasqually (1902)- Tratado Elementar de Ciência Oculta (1903)- A Ciência dos Magos (1905) - Conferências Esotéricas (1908)- O Tarot Divinatório (1909)- Quiromancia (1909)- A Reencarnação (1912)
Postumamente se editam: ABC ilustrado do Ocultismo (1922)- O Taro dos Bohemios (1926)- Tratado Metódico de Magia Prática (1927)- Tratado elementar de ocultismo e astrologia ( 1936)- As Artes Divinatórias (1936)- A Tríade Iniciática (1936)- A Doutrina de Eliphas Lévi.

FRANCOIS CHARLES BARLET:
Pseudônimo de Albert Faucheux (1838-1921). Foi o sucessor de Stanislas de Guaita como Grão Mestre da Ordem Kabalística da Rose-Croix. Por sua vez foi sucedido por Papus. Este iniciado lutou pelo ressurgimento da astrologia tradicional na França. Foi também membro do Conselho Supremo da Ordem Martinista e pertenceu a  Irmandade Hermética de Luxor. Conheceu ao Mestre Philippe em dezembro de 1898.

Publicou as seguintes obras: Deveres do Ocultismo (1893); Tratado de Astrologia Judiciaria (1895): Saint Yves d`Alveydre (1900)  O Ocultismo (1909).

EMMANUEL LALANDE (MARC HAVEN):
Nasceu em 24 de dezembro de 1868 e faleceu em 31 de agosto de 1926. Um dos membros do Conselho Supremo da O.K.R.C. foi o médico EMMANUEL LALANDE conhecido com o pseudônimo de Marc Haven. Sua filiação esotérica se explica dizendo que foi ele esposo da filha do Mestre Philippe de Lyon, de quem fora discípulo Papus. A amizade entre ambos Papus e Haven- era intensa. Marc Haven foi o padrinho do filho de Papus, Philippe Encausse, a quem Papus impusera o nome Philippe em honra a seu Mestre. Quando falece Papus em 1916, seu filho Philippe tinha apenas dez anos e Marc Haven se encarrega dele até os vinte anos. Pois Lalande falece em 1926, quando o filho de Papus já tinha vinte anos.

Sucedeu a Maurice Barrés como membro do Conselho Supremo da Ordem Martinista, na qual introduziu a mensagem esotérica do Mestre Philippe. Em 1893 foi iniciado como Doutor em Cabala por Papus e Stanislas de Guaita na O.K.R.C.
Marc Haven deixou varias obras esotéricas: Explicação inédita de uma prancha de Kunrath (1892); A vida e as obras do Mestre Arnoud de Villeneuve (1896) o evangelho de Cagliostro (1910); O Mestre desconhecido Cagliostro (1913), A Magia de Arbatel (póstumo,1946) e um Ritual da Maçonaria Egípcia, entre outras.

PAUL SEDIR:
Outro membro do Conselho Supremo de la O.K.R.C. foi Yvon Le Loup conhecido por seu pseudônimo de Paul Sédir. Nascido em 2 de janeiro de 1871 falecia no mesmo ano em que faleceu Marc Haven. Morre em 3 de fevereiro de 1926. Criou ao seu redor e em París um movimento cristão independente da O.K.R.C. ao que chamou "As Amizades Espirituais".
Na França dirigiu a Loja Martinista "HERMANUBIS" dedicada a tradição oriental. Foi discípulo do Mestre Philippe. Membro do Conselho Supremo da Ordem Kabbalística da Rose Croix; membro do Conselho Supremo da Ordem Martinista. Também foi membro da H.B.L. e da F.T.L. Ditou cursos na Faculdade de Ciências Herméticas e no Grupo Independente de Estudos Esotéricos de Papus. Sem demora, em janeiro de 1909 abandonou as ordens esotéricas e se dedicou unicamente ao Cristianismo.

Publicou as seguintes obras: O faquirismo hindu e os yogas (1906); Iniciações (1908); A energia ascética (1923). Postumamente se publicaram: Mística Cristã (1927); Historia e doutrina da Rose-Croix (1932); As curas efetuadas pelo Cristo (1948); Les Rose-Croix (1953)

PAUL ADAM:
De Paul Adam (1862-1920) membro do primeiro Conselho Supremo da O.K.R.C. se sabe pouco. Escrivão. Um dos primeiros iniciados na Ordem Martinista e membro de seu Conselho Supremo. Foi um expert em cartomancia e uso do Tarot. Em 1886 publicou um livro de poesias em colaboração con Jean Moréas chamado  Casa Miranda. Logo publicou A força (1899), O Menino de Austerlitz (1902),A Russa (1903), O sol de julho (1903) e O touro de Mitra (1907).

GABIROL:   Não existem dados.
THORON:  Não existem dados.

AGUSTIN CHABOSEAU:
Morto em 1946. Foi bibliotecário do Museu Guimet. Iniciado no Martinismo por sua tia, a Marquesa de Boisse-Mortemart, parente de Louis Claude de Saint-Martin. Integrou o Conselho Supremo em 1882 e participou na reorganização martinista de 1931 como soberano Grão Mestre da mesma. Também foi membro da Hermetic Brotherhood of Luxor.

CHAMUEL:
Seu nome real era Lucien Mauchel e seu pseudônimo foi Lucien Chamuel. Se conhece pouco sobre ele. Até 1887 foi membro del Conselho Supremo da Ordem Martinista. Colaborou com escritos para a revista Le Iniciación de París. Editor, dono da Livraria do Maravilhoso onde se reuniam os ocultistas da época. Ativo propagador do Martinismo, fundou Lojas e Grupos de Estudo.

MAURICE BARRES:
Se sabe pouco. Nasceu em 1862 e faleceu em 1923. Intimo amigo do marquês María Victor Stanislas de Guaita. Integrou o Conselho Supremo da Ordem Martinista. Escreveu Amori et dolori sacrum (1902)

Em um número de L`Initiation de 1889- citado por Bayard- se fala desta organização "O signo distintivo dos membros do Conselho Supremo é a letra hebraica Aleph. Alem deste grau superior, existem outros dois aos quais se ascende por iniciação. Cada novo membro presta juramento de obediência às diretivas do comitê diretor. Porem pode abandonar a sociedade quando  quiser, sob a única condição de guardar secretas as ordens ou os ensinamentos recebidos. A cabala e o ocultismo são ensinados.

A Ordem Kabalística da Rosacruz confere graus de universidade livre. Outorga também alguns títulos de Doutor. O primeiro exame está sancionado pelo título de Bacharel em Cabala, o segundo pelo de Licenciado em Cabala. Finalmente, um terceiro exame, que comporta a apresentação e defesa de uma tese com discussão sobre todos os pontos da Tradição, confere o Doutorado.

O primeiro exame se baseava:
1.Sobre a historia geral da tradição ocidental, particularmente sobre a Rosa-Cruz.
2.Sobre o conhecimento das letras hebraicas, de sua forma, de seu nome e de seu simbolismo.

O segundo exame tratava de:
1.A historia geral da tradição religiosa no transcurso dos tempos, insistindo particularmente sobre a     unidade do dogma através da multiplicidade dos símbolos.
2.O conhecimento das palavras hebraicas quanto a sua constituição.

Esta parte do exame era oral e os candidatos deviam passar também por um exame escrito baseado numa questão filosófica, moral ou mística".

Em 1939, Vítor Blanchard deu uma patente a Spencer Lewis .Desde 1939 Até  2 de janeiro de 1946, esta Ordem foi presidida por Agustín Chaboseau, ao qual sucedeu Georges Lagrèze, que morreu subitamente em 27 de abril de 1946 em Angers. Robert Ambelain foi seu sucessor até a  sua morte.
Como exceção temos que, em 1919, Jean Bricaud, que reivindicou a sucessão de Teder - para a qual havia sido nomeado Chamuel , fundou a Ordem da Rosacruz Cabalística e Gnóstica. O sucedeu Constante Chevillon (assassinado pela Gestapo em 1944) e logo Charles Henry Dupont, falecido em 1960. Este  transmitiu seus poderes iniciáticos a Philippe Encausse, filho de Papus.
 
         
                 TRADICÃO DA Ordem KABALÍSTICA Da  ROSE + CROIX
Os dados abaixo estão sujeitos a confirmação e não se pode afirmar a exatidão dos mesmos:

uma Linha TRADICIONAL
1-CONDE STANISLAS DE GUAITA, desde 1888 até 1897
2-Desde 1897  até (?)-ALBERT FAUCHEAUX (BARLET)
3-Desde (?) até 1916: PAPUS
4-Desde 1916 até 1918: CHARLES DETRE (TEDER)
5-Desde 1918 até 1936: LUCIEN MAUCHEL (CHAMUEL)
6-Desde 1936 até 1939: VICTOR BLANCHARD
7-Desde 1939 até janeiro de 1946: AGUSTIN CHABOSEAU
8-Desde (?) até (?): GEORGES LAGREZE
9-Desde (?) até 1992 (?) : ROBERT AMBELAIN
10-Desde 1992: GERARD KLOPPEL

outra Linha TRADICIONAL
1-CONDE STANISLAS DE GUAITA, até 1897
2-Desde 1897 até (?)-ALBERT FAUCHEAUX
3-Desde (?) até 1916: PAPUS
4-Desde 1916 até 1918: CHARLES DETRE (TEDER)
Após a morte do Grão Mestre Charles Detré houve um cisma resultante da controvérsia sobre requisitos maçônicos de afiliação 5-Desde (?) até (?): JEAN BRICAUD
6-Desde (?) até (?): CONSTANT CHEVILLON
7-Desde (?) até 1960: CHARLES HENRY DUPONT
8-Desde 1960 até 1984 (?): PHILIPPE ENCAUSSE
9-Desde 1984 (?) até 1992 (?): ROBERT AMBELAIN
10-Desde 1992: GERARD KLOPPEL
Pelo exposto, parecia que as duas linhagens originais que se haviam separado, e voltaram a unificar-se sob a mestria de Robert Ambelain.

NICOLAS IVANOVICH NOVIKOV



NICOLAS IVANOVICH NOVIKOV
Um dos fundadores do Martinismo
por Robert Ambelain


Nicolas Ivanovich Novikov nasceu em 7 de maio de 1744 em Avdotino, perto de Moscou, e morreu nesse mesmo local em 12 de agosto de 1818, aos 74 anos.

Escritor russo que entrou na história, fundador de vários jornais satíricos (O Bordão, 1769-1770; O Pintor, 1772-1773; A Bolsa, 1777), foi um dos mais corajosos representantes da crítica social no reinado de Catarina II e chamou a atenção sobre a miséria do camponês russo. Diretor do diário As Notícias de Moscou a partir de 1779, foi também um dos introdutores da Franco-Maçonaria na Rússia, sendo por isto mesmo condenado à morte em 1792. Esta condenação foi comutada em quinze anos de detenção na fortaleza de Schlüsselburg. Novikov foi libertado em 1796, quando da elevação do Tzar Paulo I, um imperador muito liberal e dos mais progressistas, a quem retornaremos um dia, pois ele foi, muito provavelmente, um de nossos irmãos martinistas. Franco-maçom (ele foi levado à Maçonaria por seu amigo, o príncipe Kurakin), foi a esse título que avocou a si a libertação de seu irmão Novikov.

Tão logo foi libertado, este último renunciou a qualquer atividade literária. Ele havia então publicado importantes coletâneas de documentos sobre a história da cultura nacional, em particular uma Biblioteca Russa (1773-1784). Fora, por outro lado, o autor de brochuras e de livros destinados a erguer o nível moral da nação, pelo menos em intenção dos russos que sabiam ler, porque nesta época seu número não passava de alguns restritos milhares: comerciantes, burgueses, nobreza.

Como homem prático, havia instituído toda uma série de escolas populares, abrindo em seguida gráficas onde fazia imprimir manuais para essas escolas, assim como outras obras instrutivas e morais que custavam apenas alguns copeques, e às vezes absolutamente nada. Depois organizou hospitais, mas como uma parte ínfima da população podia aproveitá-los, estabeleceu farmácias que forneciam gratuitamente aos indigentes os remédios exigidos por seu estado. Fez ainda surgir em diferentes bairros de Moscou sociedades de benemerência e criou esta importante sociedade que tinha por objetivo fornecer pão e víveres de primeira necessidade aos pobres dos vastos territórios da Rússia, no caso, bastante freqüente, de más colheitas. Eis aí uma tarefa que, antes dele, nenhum homem, agindo a título privado, havia conduzido com sucesso. Deve-se admitir que a imensa fortuna de alguns de seus irmãos, os martinistas e os franco-maçons russos, permitiram-no fazer. Foi assim que o discurso que pronunciou na abertura desta última instituição foi bastante inspirado e convincente a ponto de levar um rico negociante de Moscou a remeter-lhe vários milhões de rublos.

No antigo Museu Rumjansov, em Moscou, encontram-se as jóias e paramentos dos maçons e dos martinistas russos da época. Em sua obra Louis-Claude de Saint-Martin, Papus confirma havê-los examinado quando de sua primeira viagem a esta cidade. Encontravam-se lá, igualmente, alguns desses relatórios chamados "penitências", que os membros da Rosa-cruz russa, oriunda da Rosa-cruz Áurea fundada na Alemanha em 1570, deviam fazer chegar periodicamente aos Superiores da Ordem. Segundo Pypin, em um desses documentos, Novikov exprime-se assim:

"Com um coração verdadeiro e puro, reconheço que não compreendi o sentido das preciosas colunas sobre as quais repousa a Ordem Sagrada, ou seja, o amor a Deus e ao próximo, ou melhor, que o compreendi mal, pensando que o homem era em si capaz de amar a Deus e ao seu próximo. Estava mesmo tão cego que acreditava cumprir os mandamentos de Deus; mas agora, agradeço com lágrimas ao meu Salvador, por haver-me permitido ver e reconhecer minha cegueira. Ele me fez compreender e sentir que o amor é um dom de Deus, que ele outorga aos seus santos. Há momentos em que eles experimentam do amor ao próximo e têm a firme persuasão de amar igualmente a Deus. Mas esses minutos são passageiros...".

Em seus escritos, Nicolas Novikov ergueu-se com determinação contra os jesuítas. Ora, na época eles contavam com o favor e a proteção de Catarina II. Além do que o conjunto iniciático constituído por Novikov e seus amigos Schwartz, Galitzin, etc., compreendia três
etapas:

a. o Martinismo, onde estudava-se de maneira simplesmente didática o conjunto das ciências ditas ocultas (astrologia, magia, alquimia) e os ensinamentos de L.C. de Saint-Martin, levados à Rússia pelos amigos russos do Filósofo Desconhecido;

b. a Estrita Observância Templária, vinda da Alemanha e no seio da qual existiam grupos secretos nos quais praticava-se o ensinamento teórico precedente;

c. a Rosa-cruz, oriunda da Rosa-cruz Áurea alemã, fundada em 1570, e no seio da qual estudavam-se as doutrinas iniciáticas tradicionais: gnose Alexandrina, cabala hebraica, paganismo eslavo.

Sem se darem conta, o clero ortodoxo e os jesuítas desencadearam uma ofensiva contra esse conjunto e seus dirigentes. Sabemos bem o que aconteceu depois. Uma associação de homens afortunados, apaixonados pelos ensinamentos de um homem como L.C. de Saint-Martin, ardente defensor da Revolução Francesa em sua célebre carta, não podia deixar de atrair acusações. Elas não faltaram. Seus membros foram colocados sob a suspeita de exigir de seus aderentes e por escrito uma declaração contrária a todos os princípios dos estados monárquicos; que se esforçavam para conquistar a boa vontade do povo distribuindo víveres e medicamentos; que escondiam em seus lares todo um arsenal destinado a armar uma tropa facciosa.

Foi assim que as prevenções tomaram corpo. O chefe de polícia recebeu ordem de cercar as casas e efetuar perquirições. Não eram encontrados nem canhões nem grandes quantidades de pólvora. Mas como eram todos eles grandes caçadores, naturalmente possuíam fuzis e carabinas, além de pistolas para as saídas noturnas. E tudo isto bem à vista. Pois foi o suficiente para sustentar as acusações, e nossos irmãos martinistas e maçons foram lançados às celas geladas da fortaleza de Schlüsselburg, pés e mãos acorrentados, na primavera de 1792. Só viriam a sair de lá em 6 de novembro de 1796, por um decreto de seu irmão, o Tzar Paulo I. Haviam lá permanecido cerca de cinco anos... No entanto, e para sermos justos, acrescentemos que (condenados à morte pelos tribunais, viram suas penas comutadas em quinze anos de detenção por Catarina II), isto provavelmente salvou-lhes a vida, pois não se vivia quinze anos nas celas de Schlüsselburg.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Silêncio Interior




O Silêncio Interior
 Pelo Irmão Tácitus:::


“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação...”.
Salmos 62:1

“Bom é guardar a salvação do Senhor, e isso em silêncio...”.
Lamentações 3:26


Calar, o quarto verbo dos sábios que procede Querer, Ousar e Saber. Calar, verbo tão difícil de praticar seja pela necessidade profana de comunicação, seja pelo descontrole em manter-se quieto. É costume falarmos que o homem possui 2 olhos, 2 ouvidos, 2 orifícios nasais, porém 1 só boca; muitos acreditam que nossa constituição nos indica a necessidade de falar menos e escutar mais.

Estaria o homem em silêncio mesmo estando calado?

Sei da importância em não apenas controlar nossos impulsos externos, antes de externar qualquer palavra ou frase num diálogo, seja em nossa vida profissional, seja pessoal. A prudência e a paciência são virtudes importantíssimas à aquele que deseja labutar seu eu interior, controlando nossos impulsos, descontroles e ansiedades que nos levam a tagarelar profanamente, sem objetivo, sem rumo, sem vida, apenas bagunça.

Sei que o Silencio Interior está muito além disso.

Não basta fecharmos a boca para não falarmos besteiras desnecessárias. Antes sei que é necessário calarmos nossa mente, normalmente descontrolada em pensamentos intermináveis, fora de foco e sem objetivo. O homem pode estar vivendo aos barulhos orquestrais numa turbulência de bagunça mental, mesmo estando calado de boca fechada. Pensamento é som, e esse som ecoa por todo nosso interior e vibra de acordo com a qualidade vibracional, na mesma freqüência que a natureza de nossos pensamentos. Como pode almejar o “Calar” dos sábios se tal buscador não se mantém em silencio mental?

O Silencio Interior está muito alem disso.

Em seu interior mental bagunçado por maus pensamentos, ou pensamentos incessantes e esses por suas qualidades vibrando em nosso interior, despertam emoções. A emoção é um motor fortíssimo suscetível aos pensamentos, assim não me admira que toda pessoa mentalmente bagunçada, sofre constantemente dentro de si. Suas emoções assim como seus pensamentos, são turbulentos como um temporal em alto mar, com vendavais que vem de todos os lados, e leva o barco rumo a lugar nenhum deixando quase à deriva seus tripulantes. Mesmo calado, o buscador pode estar num temporal em alto mar de suas emoções, e isso, não é Silencio Interior.

Silêncio é sossego, calma, paz, tranqüilidade. Muito mais que uma ação, é antes, um estado de espírito. É uma conquista que a arduamente o buscador adquire pelos seus próprios esforços. O Silêncio Interior é um mar tranqüilo, calmo de águas límpidas e de brisa refrescante num admirável pôr do Sol. O verdadeiro sábio sabe por sua experiência que por mais ruidoso e barulhento que esteja seu redor, seu Mar Interior permanece inalteradamente tranqüilo, calmo e em paz. Calar-se exteriormente é apenas uma escolha, se assim o Sábio o desejar. Essa tranqüilidade é o resultado do equilíbrio e harmonia em que reinam seu eu mental, emocional e espiritual, que muito antes de calar sua boca, já está em paz consigo mesmo há muito tempo.

O Silêncio Interior é acima de tudo, uma arte.

Tão proveitoso silêncio em sua plenitude, nos coloca em contato com o que há de mais Divino e Nobre no ser humano, nossa Alma, nosso Princípio Inteligente. Tal silêncio, o qual comungamos com o Deus de nosso coração e com Ele formamos um, tal silencio que une, que eleva e que, diz a nós mais que palavras. O Silencio Interior é a porta pelo qual o Divino nos comunica sua sabedoria, seus desígnios; é através dele que erijo a base de minha grande obra, que culminará em minha reintegração ao Todo.

O som do Silencio Interior, inaudível ao ouvido profano, orquestra harmoniosa de Deus.

Na Paz de Cristo.

+T:::

O Espírito da Ordem Martinista




O Espírito da Ordem Martinista
"Saint-Martin induzido a formar uma espécie de agrupamento,
essencialmente espiritualista, desligado das cerimônias
ritualísticas e das operações mágicas".
J. Bricaud: Notice historique sur le Martinisme.
Nova Edição, 1934, pág. 7.

Saint-Martin foi Franco-Maçom, foi Elu-Cohen e aderiu ao Mesmerismo; prestou-se, de boa mente, aos ritos e aos usos destas sociedades; conduziu-se como membro irrepreensível de fraternidades iniciáticas. Mas este comportamento representa uma época de sua vida. Vimos como o temperamento de Saint-Martin e toda a sua formação o afastavam do caminho exterior. Podemos entender, tanto as operações teúrgicas ou mágicas visando resultados sensíveis, como as associações maçônicas ou ocultistas, nos seios das quais elas são praticadas. Quando Saint-Martin solicitou a sua exclusão dos registros da Franco-Maçonaria, onde, somente figurava nominalmente, exprimiu seu desejo e sua convicção de conservar seus graus Cohen. Mas a idéia que até então fazia dos Elus-Cohen, parece bem próxima de sua concepção pessoal da Ordem iniciática. O verdadeiro elo entre os irmãos, é um elo moral e espiritual.
Também vimos Saint-Martin repudiar a sociedade, desculpar-se de haver fundado uma: "Minha seita é a Providência; meus prosélitos, sou eu, meu oculto é a Justiça".(55)
Mas, o Teósofo, sabia também que os seus profundos conhecimentos lhe impunham uma missão. Sabia auxiliar os homens que o cercavam, proporcionar-lhes conselhos, tentar insuflar-lhes o Espírito. Por possuir o "alimento espiritual", os "aspirantes" se lhe aproximavam.
Assim o círculo íntimo de Saint-Martin se constituiu de discípulos escolhidos e de amigos fiéis.
Somente o valor intelectual e o zelo pela busca da Verdade, permitiam ingressar nessa sociedade. Nem a idade, nem a posição social eram levadas em consideração, as mulheres eram convidadas a participar. "A alma feminina não sai da mesma fonte que aquela revestida de um corpo masculino? Não tem ela a mesma tarefa a cumprir, o mesmo espírito a combater, os mesmos frutos a esperar?" (56).
Entretanto, recomendava Saint-Martin, insisto na opinião de as mulheres devem ser em pequeno número e, acima de tudo, escrupulosamente examinadas". (57)
Talvez seja necessário procurar aí, a razão deste aforismo de Portrait: "A mulher me parece ser melhor que o homem, mas, o homem me parece mais verdadeiro do que a mulher". (58) Finalmente, colhemos no que diz respeito às mulheres, uma delicada e graciosa observação de Saint-Martin. Ela ajudará também, a reconstituir a atmosfera do Martinismo, segundo a vontade de seu fundador. "As grandes verdades só se ensinam bem no silêncio, enquanto que toda a necessidade das mulheres é que se fale, e que elas falem; então tudo se desorganiza como já o provei várias vezes". (59)

A personalidade do Filósofo Desconhecido, tal como se manifesta nas suas obras e em seus atos, impede atribuir à sua sociedade um aspecto rígido, solidamente organizado e hierarquizado. Ninguém crê mais na autenticidade do rito maçônico, dito de Saint-Martin. E a única ação importante do Teósofo, no seio da Maçonaria, foi tentar quebrar a armadura das Lojas regulares, dispersar seus membros e arrastá-los, na sua corrida para o Absoluto, para fora, dos quadros e dos agrupamentos.

Admitamos, pois, que os discípulos de Saint-Martin, formavam antes uma espécie de "clube", do que uma verdadeira sociedade iniciática. Admitamos que o elo que ligava esses discípulos ao Mestre e entre si, eram de natureza espiritual. Resta saber o que se fazia nessa escola e como se trabalhava nela; o que transmitia o Mestre e como se era admitido na cadeia. Estas duas últimas frases nos parecem resumir a finalidade e o princípio da sociedade de Saint-Martin, nela instruía, mas também conferia uma iniciação, no sentido exato do termo.
Sobre a maneira de Saint-Martin instruir, possuímos um testemunho de primeira mão, são as explicações dadas por Saint-Martin a um discípulo que o interpela. São as inestimáveis cartas a Kirchberger, barão de Liebisdorf. A primeira carta de Kirchberger, solicitava alguns esclarecimentos sobre o autor e o fundamento "Dos Erros e da Verdade". O Filósofo de Amboise lhe respondeu cortesmente, e assim nasceu uma troca de idéias que durou quatro anos. Encontramos ao longo das páginas, um apreciável número de concessões doutrinárias.
A que descobertas convida a belíssima parábola do jardineiro! E quais revelações, Saint-Martin não hesita comunicar! O Filósofo Desconhecido, na sua primeira obra, esboçara alegoricamente o estado do homem antes da queda. O homem original, nela se lia, tirava todo o seu poder da posse de uma lança maravilhosa, composta de quatro metais diferentes. Saint-Martin não oculta até que ponto é importante descobrir a verdadeira natureza dessa lança simbólica.
E responde, assim, a Kirchberger, que lhe reclama o segredo: "A lança composta de quatro metais não é outra coisa do que o grande nome de Deus, composto de quatro letras".(60) Pode-se exigir algo mais claro? Compreendemos a fecundidade das relações do Mestre e dos discípulos, quando uma tal vontade de ensinar, anima aquele que sabe. A seqüência da revelação feita a Kirchberger sobre a significação metafísica da lança, mostrará ainda, Saint-Martin orientando aqueles que o solicitam. Liebisdorf, com efeito, tirou desse símbolo, conclusões demasiado arbitrárias. Comparou, por exemplo, a liga dos quatro metais com os quatro evangelistas. (61) Saint-Martin taxou tais conclusões de "convencionais" e, escreveu a Kirchberger "que os quatro evangelistas são, talvez, cinqüenta".(62)

Assim se exerce o primeiro ministério do Filósofo Desconhecido entre os membros de sua Ordem; repara e enriquece sua inteligência. Ele lhes expõe sua verdadeira doutrina. Acrescentemos, também, a essas demonstrações, as técnicas místicas, as chaves cabalísticas de meditação, de respirações que Saint-Martin ensinava a seu grupo. O barão de Turkhein, acreditava que várias passagens dos "Erros e da Verdade", "eram tiradas literalmente" das Parthes, obra clássica dos Cabalistas. (63)
Não existe uma parte da Cabala que pode ser intitulada "a yoga do Ocidente"? Tais eram alguns ensinamentos transmitidos por Saint-Martin aos membros de sua Sociedade. O que dissemos da concepção Martinista da "Ordem iniciática", deixa bem entendido a possibilidade de ser Martinista, sem estar materialmente, socialmente, ligado a Saint-Martin. Certamente é fácil se mostrar Martinista, como esses homens superficiais que Mercier descreve no seu "Tableau de Paris" e que fazem do Filósofo Desconhecido, uma moda.
Não há nenhuma necessidade de ligar-se à "Ordem Martinista". Pode-se ter aderido à doutrina instaurada pelo Teósofo de Amboise, colocá-la em prática, esforçar-se em seguir o caminho que ele indica, sem ter recebido a iniciação por meio de outro iniciado. Ou por outra, extrapolemos a noção da Ordem Martinista. A religião cristã julga salvos todos que se incorporam a ela pelo "batismo do desejo". Será preciso ver o Martinismo recusar a iniciação do Homem Espírito a todo "Homem de Desejo"? Reconheçamos, todavia, que a iniciação ritual é o meio mais comum e o mais fácil de ingressar na "Ordem Martinista".
Ela proporciona a todo aquele que a recebe, uma poderosa ajuda. Um auxílio místico, em primeiro lugar, dos Irmãos passados ou presentes na comunhão dos quais, nos permite entrar, mais facilmente. Ajuda moral e também material dos membros contemporâneos. Auxílio intelectual pelo socorro que solicita no estudo da doutrina, seja por trabalhos em comum, seja pela voz dos adeptos mais adiantados, seja, principalmente, pelas tradições dos quais esses adeptos são o reflexo e que dormem no seio da Ordem, não esperando senão um Príncipe, cujo amor virá despertá-los.
Mas, a iniciação possui em si mesma um valor exato. Saint-Martin instruía os membros de sua sociedade, dessa sociedade que a história confirmou-nos a sobrevivência através dos séculos. Mas, o Filósofo Desconhecido lhes dava também, um misterioso viático, (64) uma chave mais estranha do que as clavículas: a iniciação. Extraordinário encanto do influxo Divino que emana de suas mãos, que faz o sacerdote ou o adepto, que dá o poder ou a facilidade das ciências. Virtude mágica ao limite extremo do natural e do sobrenatural.
Prodigioso e impalpável auxiliar que se dá sem dividir-se, que se transmite de homem a homem; guarda seu efeito próprio e infalível, mas não desenvolve inteiramente seu poder, senão no espírito pronto a conservá-lo. Singular fascinação dessa corrente sutil, desse fluído vital que anima o membro do corpo místico.
Saint-Martin soube discernir o papel da iniciação e entendeu que seu mecanismo não ultrapassava "as leis da natureza corporal". "Vós tendes razão, escrevia a Willermoz, de crer que a nossa sorte depende de nossas disposições pessoais, tendes ainda razão de crer que o grau... dá ao iniciado um caráter, nada é mais verdadeiro que a perfeita harmonia dessas duas coisas e não deve ter um efeito real que, sem dúvida, aumenta com o tempo, pelas instruções e pelos cuidados que cada um pode acrescentar-lhe".(65)

Louis Claude de Saint-Martin transmitiu a seus discípulos o depósito da iniciação, a fim de que germine naquele que é digno de recebê-lo e que purifique aquele que ainda não o é. "Se o poder da iniciação não opera sensivelmente pela visão, opera, não obstante, infalivelmente, como preservativo e prepara a forma daquele que se mantém puro, para receber instruções salutares quando o espírito o julga conveniente". (66)
Assim, sem aventais e sem fitas, sem vaidade e sem orgulho, a iniciação que Saint-Martin confere à sua Ordem, será a primeira etapa da única iniciação, da iniciação última, "a santa aliança que só se pode contrair após uma perfeita purificação". (67)
nt.
55 - Portrait nº 488, pág. 68. 
56 - Carta a Willermoz, 1º de maio de 1773. Papus: Saint-Martin, pág. 116. 
57 - Idem, 23 de março de 1777. Papus: Saint-Martin, pág. 146/7. Esta instução dis respeito à Ordem dos Elus Cohen e visa a entrada de madame Provençal, irmã de Willermoz. Mas encerra o pensamento constante de Saint-Martin. Podemos crer que "exame escrupuloso" se impõe, ainda mais Martinismo, quando se desconhece a desconfiança do Teósofo pelos transportes místicos femininos. 
58 - Portrait nº 206 pág. 30. 
59 - Portrait nº 145, pág. 21. Saint-Martin devia perceber melhor do que qualquer outro o estranho encanto que algumas mulheres emanam, do qual, Balzac, nos falou tão bem: "Ah, Nathalie, sim, algumas mulheres participam, na terra, dos privilégios dos espíritos angélicos e, iluminam, como eles, essa luz que Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido, dizia ser inteligível, melodiosa e totalmente congênita. "(o Lírio do Vale). A teoria Martinista da Luz, à qual se refere Balzac é exposta seguidamente no Crocodile. 
60 - Correspondência, pág. 45. 
61 - Correspondência, pág. 48. 
62 - Correspondência, pág. 52. 
63 - Carta a Willermoz, 4 de agosto de 1821, in Demerghen, Les Sommeils, pág. 144. 
64 - Viático: sacramento ministrado aos enfermos impossibilitados de sair de casa. Dic. Escolar da L.P. N.do T. 
65 - Carta de Saint-Martin a Willermoz, 25 de março de 1771. Papus: Saint-Martin, pág. 88. Este texto refere-se à ordenação Cohen. Mas se aplica, com mais propriedade, à autêntica iniciação do Filósofo Desconhecido! 
66 - PAPUS: Saint-Martin, pág. 89 (Carta a Willermoz, 25 de março de 1771). 
67 - Le Nouvel Homme.